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A luta de Javier Barter para se tornar o primeiro campeão mundial do Panamá

A luta de Javier Barter para se tornar o primeiro campeão mundial do Panamá

Aos 27 anos, Javier lidera sua própria academia e se coloca como principal representante de seu país entre a elite do esporte

Jan 16, 2026 by Carlos Arthur Jr.
A luta de Javier Barter para se tornar o primeiro campeão mundial do Panamá

Quando o assunto é Jiu-Jitsu, países como Brasil, Estados Unidos e Austrália imediatamente são levantados como os mais tradicionais do esporte. No último Mundial de Jiu-Jitsu sem kimono, no entanto, a comunidade internacional da arte suave assistiu a ascensão do Panamá como o centro das atenções com a chegada de Javier Barter, atleta de 27 anos que conquistou o topo do pódio na categoria de pesos pesados com desempenhos eletrizantes. 

Com base no wrestling e no judô, ambos treinados durante sua adolescência, Javier migrou para o Jiu-Jitsu e conquistou sua faixa-preta em junho de 2022, faturando a medalha de ouro no Europeu No-Gi do ano seguinte e figurando no topo de muitos outros pódios na IBJJF. Em 2025, o atleta panamenho fundou sua própria academia, a Javier Barter Jiu Jitsu Academy, e deu uma breve pausa em sua carreira competitiva, voltando aos tatames durante o circuito sem kimono da IBJJF para quebrar seu jejum com prata no Brasileiro, superado pelo veterano Rafael Lovato Jr. na finalíssima.

Poucos meses depois, Javier ficou com o ouro no Pan-Americano, superando o favorito Dante Leon na chave de pesados, chegou com muita propriedade para disputar o título no Mundial sem kimono, finalizando a maior parte de seus adversários incluindo Faris Benlamkadem na final, e agora abre o jogo em papo com a FloGrappling, falando sobre sua mais recente vitória, a tarefa desafiadora de competir entre atletas de alto nível e explicando a dinâmica entre o Jiu-Jitsu e o Panama. Confira nas linhas abaixo!


Além de ter vencido no Pan Sem Kimono, você teve um desempenho impressionante e passou por nomes consolidados do esporte para conquistar seu primeiro ouro no Mundial No-Gi. Qual foi a sensação de acrescentar um título tão expressivo para o seu currículo?

Pouca gente sabe, mas fiquei muito emocionado quando ganhei aquela final. Fui graduado em 2022, mas mesmo assim não me vejo como um faixa-preta muito experiente e não achei que chegaria no título, mesmo tendo ganhado o Pan dois meses antes. Passei o campeonato todo dizendo para mim mesmo que esse era meu momento, mas quando levantaram minha mão na final, fiquei até sem saber o que sentir. Estava muito feliz com certeza, especialmente porque sabia que meus amigos estavam me assistindo lá do Panamá, mas foi surreal. Não estou acostumado a fazer lutas importantes como uma final de Mundial.


Você mencionou o Pan-Americano sem kimono, outro torneio que te colocou em rota de colisão com veteranos do cenário internacional e que também acabou com você no topo do pódio na sua categoria de peso. Na sua opinião, essa vitória teve algum impacto no seu desempenho para o Mundial No-Gi? 

O meu duelo contra o Dante Leon no Pan sem kimono foi um divisor de águas para mim. No Mundial, tive que encarar uma semifinal contra o Charles Negromonte, que já lutava no ADCC enquanto eu ainda estava na escola. Depois disso, veio o Faris Benlamkadem, que é um nome grande do esporte e que estava indo muito bem no campeonato. Enquanto eu fazia uma das minhas primeiras lutas, ele estava na área ao lado destruindo um dos adversários dele. Não conseguia me ver chegando no título, mas aí lembrei daquela luta com o Dante e imediatamente me senti mais confiante. Na minha cabeça, também não ganharia aquela luta, mas consegui sair com a vitória. 


Antes do Mundial e do Pan, você encarou um grande desafio no Brasileiro Sem Kimono. Vindo de uma longa temporada sem competir, você conquistou a prata no Rio, parado apenas pelo veterano Rafael Lovato. O que te motivou a voltar pros tatames competitivos após tanto tempo?

Originalmente, eu não tinha intenção de competir nessa época. Tive uma situação com o dono da minha antiga academia, fiquei sem ter onde treinar e acabei criando minha própria academia, que tinha apenas seis meses quando eu soube das inscrições do Brasileiro sem kimono. Resolvi competir faltando pouco tempo e comecei a me preparar a curto prazo, mas tive que entrar no super-pesado porque estava grande demais para lutar de pesado. Estava fora de forma, sem competir por quase um ano inteiro e um amigo ainda me avisou que o Lovato estava na minha chave um dia antes do meu vôo, mas mesmo assim estava determinado a dar o meu melhor no evento.


Não é exagero dizer que o Panamá não é tradicional no Jiu-Jitsu. Quais foram os desafios que você teve que enfrentar para se tornar um campeão de elite do Jiu-Jitsu?

Quando comecei a treinar, não tinha ninguém no meu país que sequer chegava perto de ser um campeão mundial, então eu não tinha como saber o que fazer para alcançar esse patamar. Treinei na Costa Rica e sempre que contava a alguém que meu sonho era me tornar um atleta profissional de Jiu-Jitsu, me falavam para desistir e arrumar um trabalho normal. O Panamá não é um país grande, todo mundo meio que se conhece e tem no máximo umas cinco academias, então eu tive que ser a mudança que eu queria ver no meu país. Hoje, as mesmas pessoas que me mandavam parar estão comemorando as minhas conquistas e isso me traz emoções conflitantes, mas vou continuar tentando vencer os grandes campeonatos para trazer mais atenção para mim e para o Panamá.


Você acredita que as suas conquistas irão trazer grandes mudanças para a relação entre o Panamá e o Jiu-Jitsu? Podemos talvez contar com mais panamenhos talentosos ocupando o topo dos principais pódios internacionais?

O Panamá hoje oferece um incentivo monetário para aqueles que querem competir fora do país, mas muitas pessoas abusam desse sistema e escolhem campeonatos que têm menos competidores ou adversários mais fracos para conquistar uma vitória mais fácil. Isso acontece o tempo todo e não faz sentido para mim. É melhor competir no evento certo, com nível mais alto e oponentes mais fortes, para tentar se tornar o melhor. Se você compete em um evento grande e perde, você ainda assim ganha experiência e pode tentar de novo quantas vezes forem necessárias para ganhar, assim como eu. E mesmo que você nunca ganhe, você vai trazer de volta para o nosso país todo o conhecimento e a experiência que acumulou competindo, e o nível do Jiu-Jitsu na nossa comunidade vai subir. Hoje eles estão afundando o nível do Jiu-Jitsu no Panamá só porque não querem perder.


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