
O ADCC 2026 está cada vez mais próximo. Agendado para os dias 12 e 13 de setembro, em Cracóvia, o Mundial do ADCC na Polônia, além das chaves do torneio, terá também sua tradicional superluta. Kaynan Duarte fará parte de ambos, ao estar escalado mais uma vez na divisão até 99kg.
Grande destaque do ADCC 2024, no qual venceu a divisão até 99kg e o absoluto, Kaynan teria Gordon Ryan como adversário na superluta deste ano. Com a ausência de Gordon, Kaynan vai enfrentar o também campeão absoluto Yuri Simões, mas o duelo com Gordon ficou engasgado.
“Sempre senti que ele não queria mais lutar comigo", disse Kaynan. "Quando chega numa posição alta envolve muito o ego. Então, tem gente que prefere parar no topo ou evitar alguns desafios. Na nossa categoria de peso tem muita prioridade quem está passando a guarda. Ele não é um dos melhores wrestlers da categoria, então acho que conseguiria colocar ele de costas no tatame."
Com Gordon fora, Kaynan refletiu sobre as opções de superluta neste ano. Para ele, Yuri SImões foi a escolha certa, com Felipe Preguiça também no páreo. Um possível duelo contra Nicholas Meregali foi a escolha de muitos dos fãs com a ausência de Gordon, mas Kaynan rechaçou completamente o duelo no ADCC.
“A prioridade é do Yuri, campeão do ADCC e participou da última superluta. O segundo seria o Preguiça, porque ele foi o último campeão acima de 99kg e também já fez a superluta. O Nicholas é um excelente atleta, mas não tem nenhuma história com o ADCC. Já teve algumas medalhas, mas nunca foi campeão ou entregou excelentes performances."
Confira nas linhas abaixo a projeção de Kaynan para o ADCC 2026, o embalo adquirido após a campanha quase perfeita em 2024, e a evolução do jovem faixa-roxa que fez barulho em 2017 até o grande campeão que estará na Polônia.
FloGrappling: Como é estar na posição mais importante do ADCC? Como atual campeão e homem a ser batido na superluta? Muda algo na preparação e na mentalidade?
Kaynan Duarte: É um privilégio estar na maior posição do ADCC, que é a superluta. Além disso, voltar lutando também na categoria até 99kg aumenta o desafio.. Estou muito feliz de estar voltando para o ADCC nestas condições, é o que eu sempre quis e eu lutei muito para conquistar este espaço.
Você fez uma campanha quase perfeita em 2024, por uma luta de repetir o feito de Roger Gracie ao finalizar todos os combates de peso e absoluto. Qual outra luta foi tão complicada quanto, pelo que você se lembra?
Foi uma das minhas melhores performances, se não a melhor. De oito lutas, finalizei sete, que é um número bem significativo. Além disso, dominei praticamente todas as lutas, não sofri nenhum ponto, nenhum perigo, nada de risco. Estou sempre em busca da perfeição, mas no nosso esporte é uma coisa inalcançável. O Roger foi o único que finalizou todas as lutas de peso e absoluto no ADCC. A régua está alta, aceito finalizar uma menos que o Roger.
Tivemos a encarada com Gordon em 2024 e a promessa da luta entre vocês, que nunca aconteceu. Você estava ansioso para esse combate ou já sabia, na encarada, que o Gordon não lutaria?
Ele teve alguns problemas de saúde e outras coisas que eu não sei. Nós lutamos uma vez só, no meu primeiro ano de faixa-preta, e eu perdi. Mas sempre senti que ele não queria mais lutar comigo. Ele foi um dos melhores atletas sem kimono do mundo, mas quando entra no tatame é muito mais do que isso. Tem que estar bem preparado, com a mentalidade em dia. Quando chega numa posição muito alta envolve muito o ego. Então, tem gente que prefere parar no topo ou evitar alguns desafios, e está tudo bem.
Como você acha que se desenrolaria uma luta entre vocês? Como você imaginou a disputa contra o Gordon?
Difícil falar. Muitas coisas podem acontecer. Quem estaria melhor no dia, mais preparado. Também tem a relação de jogo. Meu jogo casaria bem com o dele, a meu favor. O jogo dele é bem completo, assim como o meu, mas na nossa categoria de peso tem muita prioridade quem está passando a guarda. Ele não é um dos melhores wrestlers da categoria, então conseguiria colocar ele de costas no tatame.
Além do Yuri Simões, outros dois nomes foram projetados pelo público para a superluta: Preguiça e Nicholas Meregali, que vão se enfrentar em outro evento. Você toparia lutar com eles no ADCC?
A prioridade é do Yuri, até porque o Yuri já foi campeão do ADCC e tinha participado da última superluta. O segundo seria o Preguiça, porque ele foi o último campeão acima de 99kg e também já fez a superluta. Esses nomes fariam sentido, porque o ADCC é como se fosse os Jogos Olímpicos ou a Copa do Mundo do Jiu-Jitsu. Então, se alguém é muito bom mas não tem uma história, nunca foi campeão, não faria sentido pular a fila para este título. O Nicholas é um excelente atleta, com certeza muito perigoso, mas faz tempo que ele não compete. Lutaria com ele sem problema em um evento privado, no qual ambos receberiam boas premiações, mas ele não tem nenhuma história com o ADCC. Já teve algumas medalhas, mas nunca foi campeão ou entregou excelentes performances no evento. Então, o nome dele está descartado, com certeza.
Até cheguei a falar com o Preguiça para saber se o evento tinha contactado ele. Mas, como a gente já treinou junto várias vezes e já se ajudou em outros camps, não faria tanto sentido fazer essa luta no ADCC. Muita gente gostaria de ver essa luta, mas eu preferiria fazer em um evento particular.
Voltando ao título em 2022, foram quatro lutas. Três nos pontos e uma na decisão. Você mudou demais a abordagem no ADCC seguinte, ainda mais agressivo e finalizador. Foi algo que você mudou no seu estilo de fato ou foi consequência da chave?
Se eu mudei a abordagem? Acredito que não. Mas, como no esporte, em campeonato e como em qualquer outro trabalho, não é todo dia que a gente está no nosso melhor dia. Às vezes a gente pode ter uma preparação excelente e, no dia do evento, não se sentir tão bem. Ou pode estar um pouco mais tenso, mais estressado ou mais relaxado. Depende muito. Então eu não consegui buscar as finalizações. Acredito que eu não estava no meu melhor dia, mas, mesmo assim, consegui ser campeão daquele ano. E, para ganhar um ouro no ADCC, não é uma coisa tão fácil. No meu ponto de vista, é o evento mais difícil de se vencer.
Para concluir, qual a principal diferença do Kaynan Casemiro que estreou no ADCC com o título na seletiva em 2017, ainda de faixa-roxa, e o Kaynan Duarte, atual maior nome do ADCC em 2026, quase 10 anos depois? O que você diria ao Kaynan faixa-roxa hoje?
O Kainan de faixa roxa chegou com muita vontade, pouca experiência, mas com muita vontade de vencer, de estar entre os melhores. Hoje em dia eu sou um dos melhores do mundo, e isso já faz alguns anos. Este ano eu quero voltar lá e mostrar que eu ainda sou o melhor. O que eu diria para o Kainan faixa roxa é que, na vida, poucas coisas são garantidas. Mas, se a gente não se esforçar, não tentar e não se arriscar, a gente nunca vai saber o quão grande pode ser na vida.